Depois de atuar sem incidentes na Operação Guanabara desde o dia 11 de setembro, o Exército não conseguiu, justamente no dia das eleições, atuar eficientemente nos "currais eleitorais''. Tropas não entraram nas favelas do Rio, ficando apenas perto dos postos de votação.
Sem repressão, a boca-de-urna irregular ocorreu de forma ostensiva nas comunidades, muitas vezes diante dos soldados, que prenderam apenas duas pessoas no Rio, na Cidade de Deus (zona oeste). Nessa comunidade, dois professores de jiu-jítsu se desentenderam com militares e foram atingidos por balas de borracha (um no abdome e outro na mão). O estado deles era estável no início da noite.
Na Rocinha, um pequeno grupo de militares não impediu que centenas de cabos eleitorais do candidato a vereador conhecido como Claudinho da Academia (PSDC) distribuíssem camisetas amarelas (cor usada pelo candidato) e montassem postos com mesas e cadeiras nas ruas, indicando a eleitores seus locais de votação.
DROGAS
O candidato é presidente da associação de moradores e suspeito de ligações com tráfico de drogas local, o que motivou presença do Exército durante a campanha. Correligionários de Claudinho intimidaram pelo menos dois fotógrafos e quatro repórteres.
No Complexo do Alemão, sem nenhuma presença do Exército ou da Polícia Militar nos acessos das comunidades, centenas de pessoas entregavam santinhos, logo atirados às ruas, tomadas de propaganda.