Araçatuba - Prestações de contas feitas à Justiça Eleitoral revelam que grandes empreiteiras dominaram as doações de recursos a candidatos que disputaram a Prefeitura de Araçatuba nas eleições municipais deste ano. Dos quatro concorrentes ao cargo de chefe do Executivo, três receberam o equivalente a R$ 845 mil de empresas dos setores de construção pesada, conjuntos residenciais e habitacionais e pavimentação.
A Construtora OAS, que desde 2002 executa obras do sistema de captação de água do rio Tietê para abastecer a cidade, foi quem mais investiu no pleito municipal. Sozinha, a empresa injetou R$ 425 mil, sendo R$ 250 mil na candidatura de Antônio Edwaldo Dunga Costa (PMDB), que terminou em terceiro lugar, e R$ 175 mil na campanha do eleito Cido Sério (PT). (Veja ao lado quadro que mostra quem foram os principais doadores de dinheiro aos candidatos locais)
Em segundo lugar no ranking das doações de recursos está a Construtora Estrutural. Foram R$ 290 mil, dos quais 250 mil para a campanha petista e outros R$ 40 mil para a candidatura de Dilador Borges Damasceno (PSDB), segundo colocado na disputa.
Outra poderosa do setor de obras, a Construtora Marquise investiu em apenas um candidato: Dunga. Foram liberados ao peemedebista o equivalente a R$ 100 mil. O candidato ainda obteve o equivalente a R$ 30 mil da SPL Construtora e Pavimentação Ltda.
Dos três candidatos, Cido Sério foi o que mais levou recursos de empresas do setor de construção. Sozinho, ele arrecadou o montante de R$ 425 mil, seguido de Dunga, com R$ 380 mil, e Dilador, que conseguiu apenas R$ 40 mil de uma única empreiteira. David Silas Lopes Prado (PTN), último colocado na corrida eleitoral, não obteve ajuda de grandes empresas.
O candidato petista foi o que mais conseguiu ajuda financeira além das empreiteiras. Cido Sério arrecadou R$ 300 mil com outras grandes empreiteiras, sendo R$ 100 mil da Bracol Holding Ltda., empresa ligada ao Grupo Bertin, de Lins; R$ 100 mil da JBS S/A, multinacional que teve origem do grupo Friboi, e mais R$ 100 mil da Grande Moinho Cearense, empresa de Fortaleza (CE) que pertence a Carlos Francisco Ribeiro Jereissati, irmão de Tasso Jereissati, ex-presidente nacional do PSDB.
COMPROMISSOS
Ouvido na sexta-feira pela Folha da Região, o prefeito eleito disse que os investimentos feitos em sua campanha não significam compromissos de sua administração com essas empresas.
"Eu já falei por inúmeras vezes que sou favorável ao financiamento público de campanhas eleitorais. Como ele ainda não existe no País, os partidos e candidatos recorrem à ajuda de empresas que têm condições e estão dispostas a fazer doações", afirma.
Cido explicou sobre a doação feita por empresa pertencente ao irmão do ex-presidente nacional do PSDB, partido que foi o seu principal adversário nas eleições de outubro. "Não tenho relação de amizade, mas o conheço desde os tempos em que eu trabalhava com fundos de pensões", justifica. "Foi daí que surgiu essa relação."
Cido arrecadou e gastou mais
Dos quatro candidatos que disputaram as eleições para prefeito de Araçatuba, Cido Sério foi o que mais gastou. Em sua declaração constam, durante três meses de campanha, arrecadação e despesa correspondentes a R$ 581.941,02
A declaração do petista não inclui gastos dos candidatos a vereador pela coligação que o elegeu. Cada concorrente ao Legislativo teve de prestar as próprias contas.
Entretanto, declarações em nome de comitês financeiros incluem valores arrecadados para as candidaturas a prefeito e vereador.
No caso de Cido Sério, o comitê arrecadou R$ 1.046.901,50.
Dilador Borges Damasceno (PSDB) foi o segundo que mais gastou: R$ 364.997,99, mesmo valor declarado como arrecadação.
O comitê financeiro de sua coligação, porém, juntou recursos de R$ 221.569,30 para o custeio da candidatura do tucano e dos candidatos a vereador por sua chapa.
Representante do PMDB na disputa, Antônio Edwaldo Dunga Costa foi o terceiro que mais gastou: R$ 229.162,04. Sua declaração pessoal consta uma arrecadação de R$ 219.300,50.
Pela prestação de contas, o comitê financeiro da coligação pela qual disputou a Prefeitura juntou o equivalente a R$ 357.862,26 e teve um gasto de R$ 500.219,94.
RECURSOS
Quem menos gastou nas eleições municipais deste ano, entre os candidatos majoritários, foi David Silas Lopes Prado (PTN). Na sua declaração constam como arrecadados e gastos o montante de R$ 12.898,16. Ele não teve comitê financeiro para captação de recursos.
JULGAMENTO
Das prestações de contas dos candidatos a prefeito, apenas a de Cido Sério já foi julgada pela Justiça Eleitoral e aprovada sem ressalvas.
As demais ainda passam por análise. Dunga e David, que entregaram declarações fora do prazo, correm o risco de sofrer punições.
A principal é ficar inelegível até o próximo pleito municipal. S.G.
Cido Bixeiro teve maior despesa
Entre os 12 vereadores eleitos para cumprir mandato de quatro anos na Câmara de Araçatuba, a partir de 2009, Aparecido Saraiva da Rocha (PMDB), o Cido Bixeiro, foi o que declarou maior despesa com a campanha eleitoral: R$ 92.187,00.
O segundo foi Edval Antônio dos Santos (PP): R$ 54.406,09, seguido de Cláudio Henrique da Silva (PMN), com R$ 50.229,22. Entre os eleitos para primeiro mandato no Legislativo araçatubense, Rivael Benedito de Souza (PSB), o Papinha, teve a maior despesa R$ 39.423,80. Joel de Melo (PMN), o Platibanda, foi, de todos os eleitos, o que menos gastou durante a campanha: R$ 7.004,12.
Dos parlamentares eleitos, Maria Teresa Assis Lemos Marques de Oliveira (PSDB), a Tieza, foi a única que teve as contas aprovadas sem qualquer tipo de ressalva. Ela declarou arrecadação e despesa correspondente a R$ 20.117,01.
Conforme a Justiça eleitoral, Edna Flor (PPS), com despesa de R$ 11.219,84; Arlindo Araújo (PPS), que investiu R$ 36.693,61; Edval; Durvalina Gomes Garcia (PT), que utilizou R$ 22.160,23; e Joaquim Pereira de Castilho (PDT), o Joaquim da Santa Casa, que teve gasto de R$ 31.093,24, tiveram as contas aprovadas com ressalvas.
ATRASADOS
De acordo com o chefe do cartório da 11ª Zona Eleitoral, Marcelo Lopez Penido, dos nomes que registraram candidaturas a cargos eletivos em Araçatuba, 13 não apresentaram suas declarações de gastos. Ele explica que até os que fizeram o registro, mas acabaram desistindo da disputa, são obrigados a prestar contas.
Entre os atrasados estão o atual vereador Marcos Salatino, Marisa de Souza Luiz, Josefa Perama costa, Veridiana Fernanda Campos, Aparecido Gonçalves de Souza, Reinaldo Vieira de Lima e Nilza França, todos do PMDB; Cleusa Aparecida do Nascimento e Idalino Almeida Moura, do PR; Amauri Siriani Aparecido e Luiz Carlos Bernardes Pinto, do PTdoB; Winnitu Tozadore (PSDB) e Wilson de Barros (PSL), além dos comitês financeiros do PMN e do PV.
"Todos que fizeram os registros já deveriam ter entregue as suas declarações de gastos. Agora, correm o risco ficar impedidos de concorrer a cargos eletivos até as próximas eleições", diz Penido. S.G.